BIO

Uê Puauet

Uê Puauet (Marcos Costa) é multiartista, diretor teatral e audiovisual, dramaturgo, roteirista, fotógrafo, arte-educador, produtor cultural, pesquisador e fundador da Iemojá Produções. Há mais de 23 anos desenvolve uma produção autoral dedicada à criação de narrativas africanas e afro-brasileiras, articulando cinema, teatro, fotografia, artes visuais, cultura popular e formação cultural. Sua obra investiga as relações entre imagem, ancestralidade, mito, memória afrodiaspórica, colonialidade e política, ampliando os imaginários sobre as experiências negras no Brasil.

Grande parte dessa trajetória foi construída sob o nome Marcos Costa, com o qual realizou projetos, recebeu prêmios e consolidou reconhecimento artístico e institucional. A adoção do nome Uê Puauet representa um gesto político de descolonização da autoria e da identidade, aprofundando seu compromisso com a construção de narrativas negras. Mais do que um nome artístico, Uê Puauet expressa sua dimensão griot, na qual criação, pesquisa, oralidade e transmissão de saberes constituem um mesmo processo.

É doutorando em Comunicação e Desenvolvimento Humano, pesquisando as relações entre imagem e racismo. Foi bolsista da Universidade Lusófona do Porto, onde concluiu, com mérito acadêmico, o curso de Comunicação e Desenvolvimento. É graduado em Artes Visuais, Artes Cênicas e Pedagogia, especialista em Cultura Africana e Metodologia do Ensino de Arte, além de possuir formação em Estética da Fotografia com a pesquisadora Simonetta Persichetti, na Universidade Estadual de Londrina.

Foi no teatro que consolidou suas primeiras investigações sobre memória, oralidade e representação negra, questões que atravessariam toda a sua produção posterior. Entre seus principais trabalhos está Anastácia, contemplado com o Prêmio Myriam Muniz, do Ministério da Cultura, além dos projetos desenvolvidos junto à Congada de Chico Rei, reconhecidos pelo IPHAN/Ministério da Cultura.

Essa trajetória encontrou um ponto de inflexão em Negras Faces em Fotos. Partindo da constatação da quase invisibilidade de mulheres negras nas principais revistas brasileiras, desenvolveu uma pesquisa sobre os mecanismos de representação da população negra na mídia, materializada em uma série fotográfica que deslocava esses retratos para o espaço expositivo, tensionando os regimes de produção, circulação e leitura da imagem. O projeto alcançou repercussão nacional e internacional, sendo apresentado em diferentes instituições culturais, entre elas a mostra promovida pela organização La Arte Contra la Barbárie, em Barcelona. Pelo trabalho, recebeu o Prêmio de Intercâmbio Cultural do Ministério da Cultura, experiência que aprofundou sua reflexão sobre imagem, poder, colonialidade e os processos de legitimação artística.

Essa pesquisa desdobrou-se no audiovisual, linguagem na qual articula imagem, oralidade, memória e mito como formas de construção narrativa. Produziu e dirigiu o curta-metragem O Enegrecer de Iemanjá (2025), selecionado e premiado em diversos festivais brasileiros. Como roteirista e diretor, desenvolve projetos como Matriarcas de Negra Tez, Quando Elas Falam, Axé Interrompido, O Menino e o Rei que Ninguém Conhecia, Santa Negra, Negra Roza, Sem o Espelho de Mim, Kalunga e outras obras voltadas à criação de narrativas negras contemporâneas.

Sua produção reúne trabalhos apresentados em instituições culturais, escolas, universidades, museus e festivais, articulando criação artística, pesquisa e formação. Em 2023, recebeu o título de Mestre da Cultura de Londrina, em reconhecimento ao conjunto de sua trajetória. Em 2026, foi selecionado como Liderança Negra Latino-Americana para a Escola de Finanças Visíveis – Talento Visible III, da organização colombiana Manos Visibles, iniciativa voltada ao fortalecimento de lideranças afrodescendentes e indígenas da América Latina.

“Continuo lutando porque ainda acredito em um mundo melhor para as futuras gerações e porque quero honrar aqueles que vieram antes de mim e me proporcionaram a vida.”

Ubuntu.